
Temos uma vida agitadíssima, cheia de compromissos com a família, os amigos, o trabalho. E pensamos que não há tempo para pensar nas coisas, saboreá-las e rezá-las. Ficamos à espera de dias mais tranquilos, das férias, ou do tempo oportuno em que finalmente arrumo a casa por dentro. Quando chega o momento de parar, é tanta a aceleração interior e os problemas são tão vivos no pensamento, e o corpo não consegue estar quieto. Não foi o tempo que afinal tinha desejado, descansei, mas o meu interior ficou igual.
Creio que muitas vezes temos tendência a pensar que uma coisa é a vida do dia-a-dia e os seus acontecimentos, e outra é a minha vida interior e as suas necessidades incompletas. Todos dizemos que o tempo do dualismo alma-corpo já é passado, mas continuamos a viver isto como pressuposto e a criar uma divisão em nós que não devia existir. Uma forma nova de falar de alma-corpo seria interno e externo. Mas com uma diferença fundamental. O interno e o externo não são duas dimensões separadas com as quais tenho que combater para dar espaço uma à outra, mas são eu próprio, completo. O interno é minha memória, inteligência, sensibilidade, emoção, vontade e liberdade.O externo é a minha pele, que faz parte de mim e me acompanha para onde quer que vá. Na pele estabelece-se o contacto com o mundo, as carícias e os golpes, o frio e o calor, a água e o sangue. Todo eu sou interno e externo, que se comunica, tal como a pele precisa do vasos e dos nervos para comunicar com o corpo e ter a sua função de toque e defesa.
A vida e as suas ocupações tocam-me do exterior e fazem parte de mim. Sou o que me acontece, tal como sou aquilo que sinto e penso, exactamente da mesma forma. Por isso, a vida acontece quando eu estou presente nela e levo à vida aquilo que tenho em mim. Seria preciso amar tudo, como me amo a mim próprio.
Se cada dia for capaz de ter um tempo para estar atento à vida tocada na pele, dar-me-ia conta de que não posso fazer outra coisa que agradecer por ter chegado ao fim mais completo, de pedir perdão por não ter amado tudo o que acontece e, logo, tudo o que sou, de querer melhorar já amanhã o que hoje não foi meu. Tocar a minha pele, agir internamente, partir completo para um novo dia. Três passos, alguns minutos, uma vida mais autêntica.
(dia seguinte)
O tempo de oração não é apenas um momento de paragem e dedicação exclusiva à meditação. É sobretudo uma atitude que posso - e devo - transportar nos momentos do dia a dia. Especialmente os seus frutos. Porém, temos necessidade de um tempo exclusivo para a oração, como o corpo precisa de respirar a plenos pulmões para se encher de maior vida e energia. E sabemos bem como é importante respirar profundamente.
Às vezes, chego a ser duro comigo mesmo, dizendo que para aquilo que realmente quero, encontro sempre tempo. De facto é assim, coisas urgentes podem esperar quando aparece improvisamente aquilo que mais quero fazer no momento. Se o que mais quero é estar no silêncio, eu e Deus, então consigo estar. Se quero mais ou menos, ou só alguns dias, então raramente estarei.
Cada pessoa encontrará no seu dia o tempo e o modo de rezar. É essencial que o queira e que precise dele como de ar para viver. O exercício que propus no post anterior é um bom início, partir do dia concreto, e amar-me enquanto o amo, perdoar-me enquanto o perdoo, ser melhor amanhã. Os frutos da constância vão surgindo e, da mesma maneira, a vontade de continuar e aperfeiçoar. Um ciclo virtuoso, rezar bem, faz querer rezar melhor. Mas só experimentando cada dia se poderá verificar como isto acontece.
PS: Este é um dos muitos modos de rezar, amanhã falarei de outro, que pessoalmente sigo, como me foi sugerido! Por hoje ficam estes conselhos, espero que ajudem. =)
(dia seguinte)
Partindo da base que escrevi no post anterior, que penso ser uma forma bastante visível de perceber a minha relação com o mundo e a forma como faço parte dele, gostaria ainda de dedicar alguns pensamentos ao modo concreto como poderei no meio de um tempo ocupado, encontrar tempo para olhar a Vida com Deus.
O tempo de oração não é apenas um momento de paragem e dedicação exclusiva à meditação. É sobretudo uma atitude que posso - e devo - transportar nos momentos do dia a dia. Especialmente os seus frutos. Porém, temos necessidade de um tempo exclusivo para a oração, como o corpo precisa de respirar a plenos pulmões para se encher de maior vida e energia. E sabemos bem como é importante respirar profundamente.
Às vezes, chego a ser duro comigo mesmo, dizendo que para aquilo que realmente quero, encontro sempre tempo. De facto é assim, coisas urgentes podem esperar quando aparece improvisamente aquilo que mais quero fazer no momento. Se o que mais quero é estar no silêncio, eu e Deus, então consigo estar. Se quero mais ou menos, ou só alguns dias, então raramente estarei.
Cada pessoa encontrará no seu dia o tempo e o modo de rezar. É essencial que o queira e que precise dele como de ar para viver. O exercício que propus no post anterior é um bom início, partir do dia concreto, e amar-me enquanto o amo, perdoar-me enquanto o perdoo, ser melhor amanhã. Os frutos da constância vão surgindo e, da mesma maneira, a vontade de continuar e aperfeiçoar. Um ciclo virtuoso, rezar bem, faz querer rezar melhor. Mas só experimentando cada dia se poderá verificar como isto acontece.
PS: Este é um dos muitos modos de rezar, amanhã falarei de outro, que pessoalmente sigo, como me foi sugerido! Por hoje ficam estes conselhos, espero que ajudem. =)
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