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11 setembro 2009

Dependência afectiva

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A liberdade nas relações é daqueles temas que mais mexe comigo. Precisar de alguém, querer muito bem a uma pessoa é algo tão natural nas relações que são importantes na nossa Vida. De certa maneira, é o modo espontâneo de dar aquilo que se recebeu. E assim, preocupamo-nos, cuidamos, perdoamos, conhecemo-nos e admiramo-nos naquilo que somos.

O que está na base de uma relação deste tipo é o amor, nas suas diversas formas. O amor é comunicação e gratuidade, damos o que somos e temos por causa do outro, para o fazer feliz. Contudo, há um mecanismo muito escondido em nós que procura receber algo em troca do que dá. Esse mecanismo existe e é importante que sejamos conscientes dele e da forma como pode agir. Sempre que uma relação começa a ter como referência o eu e não o outro, podem surgir problemas.

Começamos a cobrar, a desconfiar, a querer mais atenção, a fazer jogos de silêncios... Obrigando o outro a ter-me no centro do seu mundo. O critério que me pode fazer pensar sobre a liberdade em determinada relação é o que sinto quando penso nela: se confiança, alegria, estima, ou tensão, medo e angústia. Se as últimas coisas acontecem, é porque não estou livre e estou mais preocupado comigo. E isso não é bom.

É possível dar-se com limites? Depende dos limites que são, cada relação é uma história única. Mas quando faz sentido, o dar-se sem limites tem a cor da confiança absoluta e da abertura para falar sem medo. Se não, podemos começar a fazer violência, que é a outra face do amor, como há dias escrevi numa outra reflexão.

Relações humanas

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Nas minhas experiências de amizade, tenho descoberto algo que me fascina sempre mais. Cada pessoa é uma paisagem completamente nova. E completamente diferente. Conheço melhor quem sou quando me dou conta das diferenças: que os outros pensam, são e fazem de outra maneira. Aprendo com isso muitas formas novas de estar na Vida.

Há relações humanas que fazem parte da nossa vida, que não pudemos escolher, a nossa família, colegas de escola e de trabalho. Mas nem todas estas relações poderão vir a ser significativas para mim. Há um passo inicial que começa com uma conversa, uma sintonia, uma coincidência. Se algumas relações não as posso escolher, outras tenho a impressão de ter sido escolhido por elas. As relações significativas são aquelas de amizade ou de estar apaixonado, e isso percebe-se quando o meu dia é marcado por uma intenção, de me lembrar de alguém muitas vezes, ou de ter uma pessoa como critério das minhas escolhas, mesmo as mais pequenas. Estas relações acabam por fazer parte de mim, de uma forma que não posso iludir.

É aqui que surgem duas perguntas. Quem és para mim? Quem sou para ti? E a resposta pode ser juntar paisagens tão diferentes e fazer um mundo cheio de novas cores: mar e montanha, deserto e oásis, planície e cidade. Onde há partilha, alegria, crescimento, perdão, compreensão. Onde um não deixa de ser quem é, mas busca continuamente espaço para o outro construir a sua casa.

Mas outra resposta poderia ser uma só paisagem, onde não houvesse diferenças, ou um bosque onde não soprasse o vento, e o pólen não pode fecundar as plantas: Um peixe no oceano, uma árvore num jardim, um quarto numa casa. Onde o outro estivesse num espaço que eu tivesse já determinado, e do qual ele não poderia sair. Ou vice-versa.

A primeira resposta é liberdade, a segunda é dependência. A amizade e o amor perdem a força se são demasiado apertados entre abraços que não deixam brilhar a força e a beleza. E com isso, podemos acabar por perder tudo.

 

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